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Quinta-feira, 23 de Abril 2026
Notícias/ESTADUAL

CRIANÇAS ATRAVESSAM RIO A PÉ TODOS OS DIAS PARA IR À ESCOLA NO INTERIOR DO PARANÁ

Sem ponte, irmãs enfrentam travessia diária em assentamento rural; situação preocupa família e mobiliza autoridades

CRIANÇAS ATRAVESSAM RIO A PÉ TODOS OS DIAS PARA IR À ESCOLA NO INTERIOR DO PARANÁ
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As duas filhas de Francisco Eliseu Deorneles, de 9 e 11 anos, precisam atravessar um rio a pé todos os dias para conseguir chegar ao ônibus que as leva às escolas onde estudam. A família mora na comunidade Bom Retiro, na zona rural de Coronel Domingos Soares, cidade com cerca de 4,5 mil habitantes, no sul do Paraná.

O pai conta que a travessia precisa ser feita pela água, mesmo quando o rio está cheio, devido à falta de ponte ou de qualquer outro acesso que ligue a residência ao ponto do transporte escolar.

“A linha do ônibus escolar passa na margem direita do rio, e nós moramos na margem esquerda. Nossa casa fica a cerca de 40 metros do rio, a aproximadamente 15 km das escolas das meninas e a 30 km da cidade”, relata Deorneles.

Francisco e a esposa trabalham com agricultura familiar e também têm outro filho pequeno, que ainda não iniciou a vida escolar.

No caso das filhas, elas precisam atravessar o rio duas vezes por dia, de segunda a sexta-feira — tanto para chegar ao ponto de ônibus escolar, que fica a cerca de 600 metros da residência, quanto para retornar para casa. Quando o rio está mais cheio, os pais precisam acompanhar as filhas, realizando a travessia até quatro vezes ao dia.

“As crianças têm que se molhar para poder ir à escola. Uma delas já apresentou problemas de saúde por causa disso. Já procurei a prefeitura, mas até agora nada foi feito”, afirma o pai.

A comunidade onde a família vive é um assentamento reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde os anos 1990. Na prática, um assentamento é formado por unidades agrícolas destinadas a famílias que não possuem condições de adquirir terras, devendo residir e produzir no local.

A família mora no assentamento Bom Retiro do Butiá. Segundo dados atualizados no início de março de 2026 pelo Incra, a área tem capacidade para 73 famílias e atualmente abriga 59. O assentamento possui cerca de 1,7 mil hectares.

No local, a família cria animais e produz alimentos para o próprio sustento, o que, segundo o pai, dificulta a mudança para a área urbana. Ele também ressalta que o problema de acesso ao transporte escolar existe desde que a família chegou ao local.

O Incra informou que enviou uma equipe ao local em setembro de 2025 e destacou que o lote da família ainda aguarda análise de regularização. Sobre a falta de ponte, o órgão afirmou que a demanda será analisada.

Já a prefeitura informou que realiza uma verificação técnica para identificar a necessidade de intervenção e avaliar a viabilidade de uma obra de infraestrutura. No entanto, não há previsão para solução do problema.

Segundo o município, a situação está em fase de análise técnica e administrativa, com levantamento de informações sobre a titularidade da área, condições de acesso e possíveis alternativas de deslocamento.

A prefeitura também informou que acionou o Departamento de Educação para avaliar as condições de deslocamento das alunas, buscando garantir o acesso à escola. O Conselho Tutelar acompanha o caso e sugeriu alternativas à família, como a possibilidade de utilização de uma residência no perímetro urbano.

A Administração Municipal reafirmou o compromisso com a segurança dos estudantes e com o direito à educação, destacando que as medidas cabíveis estão sendo adotadas dentro dos limites legais, técnicos e administrativos.

FONTE/CRÉDITOS: G1
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